10 de junho de 2021

Sobre depressão, pandemia e outras drogas


-Minha gata pra ilustrar a cara de deboche e decepção da Vaca Interna-

     Um ano e pouco de pandemia. 480.000 mortes, até agora. Muitas pessoas amadas a menos, incluso minha querida avó. Sensação de impotência, de descrença e solidão. Permeando isso tudo mais uma faculdade que não deu certo, uma mudança de cidade que durou pouco mais de um mês e a volta do velho sentimento de não pertencer a lugar nenhum. 

    Depressão é uma m****, todo mundo sabe (ou deveria saber) disso, e em meio a uma pandemia é inevitável que transtornos mentais se intensifiquem. Ficar em casa é um privilégio para poucos, mas aumenta a sensação de que o mundo lá fora está seguindo e você não, traz o peso da convivência extrema com os que moram junto e a saudade dos que não estão por perto.

    Soma-se à depressão um tanto de ansiedade e aí que a coisa fica feia. è como se existissem pessoas diferentes dentro da cabeça, uma diz "Se mexe! O mundo tá andando e você está perdendo tempo! Faz alguma coisa! Você tá perdendo!" (perdendo o que ou de quem, eu ainda não sei ao certo) e uma outra só fica deitada, estática, mal respira, mas diz "não" de forma veemente pra tudo. Dentro da minha cabeça, essas duas pessoas se odeiam com todas as forças, só que no final as duas sou eu, o que me faz me odiar triplamente. 

    Nessa hora de auto-ódio uma terceira, soberana e escrota Renata aparece. Minha psicóloga a nomeou amorosamente de Vaca Interior. A Vaca Interior é o resumo pegando fogo de todas as críticas que eu faço a mim mesma. Ela é rude, mal educada e diz coisas que eu não desejo nem pra um assassino de filhotinhos (ok, talvez pra um assassino de filhotinhos). 

    Com muita terapia e ajuda psiquiátrica eu tenho conseguido não escutá-la e argumentar de forma lógica que a maioria das coisas que ela diz não são reais ou, no mínimo, muito exageradas, mas com o isolamento da pandemia, e o silêncio dos dias que seguem, essa voz acaba ecoando na minha cabeça, e aí tanto faz o que eu faço ou não faço, nada estará minimamente bom.

    Seguem algumas frase da Vaca Interna (talvez isso te ajude a reconhecer a sua e mandar ela pra pqp!):

"Você não merece nada do que tem!"
"Ninguém vai te amar desse jeito, sua nojenta!"
"Você tá velha pra fazer qualquer coisa agora, sua fracassada!"
"Seus amigos não gostam de você de verdade. Para de incomodar eles com as suas coisas insignificantes!"
*Na minha imaginação ela grita o tempo todo ou me olha com cara de deboche*

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