É meu amor, você me esgotou. Eu bem que tentei. Tentei por tanto tempo que tudo em
mim acabou. Minha força, que no começo me fazia acreditar que eu era uma
gigante que podia ultrapassar todo e qualquer obstáculo, ficou tão pequena que
hoje não saí da cama. Minha autoconfiança, que fazia com que todos me olhassem,
morreu, me fazendo tão invisível que nem eu mesma me enxergo mais.
É meu amor, você conseguiu! Agora sou tão sua que nem
a mim pertenço. Agora você pode colocar aquele último risco na sua lista, pois
ela está completa e eu, vazia.
No começo eu era tão radiante que não percebi quando
te ofusquei. Você me amou e me odiou por isso. É meu amor, mas quando a luz é
forte, o escuro é maior ainda, ele dá medo, é a porta onde ninguém gosta de entrar.
Essa porta estava trancada e a luz permeava todo o
cômodo. Eu me obrigava a ter luz depois de tanto tempo sendo só escuridão. Eu
mostrava uma confiança que nem tinha. E quando você chegou, tão quieto, tão
tranquilo, tão diferente de mim, eu não pude deixar de notar.
Você me olhava com tanto carinho, com tanta admiração,
que eu não pude deixar de dividir com você a luz que com tanto esforço
conquistei. No começo era fácil, você pedia tão pouco e me dava tanto, mas o
tempo foi passando e você parou de retribuir. A luz foi dividida por dois e
depois virei penumbra. Ajudei você a crescer, a brilhar. Você virou o sol e eu
a vela.
É meu amor, dependência emocional é uma bosta e quando
a depressão entra no balaio, já era. A gente fica pensando que “é só uma fase”
e que tudo vai voltar pro lugar. Mas onde é a porcaria desse lugar? Agora faz
tanto tempo que não me enxergo que não sei nem se existo mais. Nem você me viu
quando eu precisei. Nem você, nem ninguém e acho que nem eu mesma.
É meu amor, hoje eu te liguei e pedi ajuda. Nem sei
porque fiz isso, provavelmente um pouco de esperança com um pouco de burrice...
Pra que vir? Item de decoração não vai embora, não sai andando e aquela reunião
com certeza era bem importante.

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