15 de abril de 2018

O teatro vs. o filme




Ontem (14/04/18) fui assistir ao espetáculo “A pequena sereia”, lá no teatro Santander. Tenho que confessar que saí frustrada com a minha experiência...
Quando cheguei minha expectativa era de ver algo parecido com o que foi “O rei leão”, até aí tudo bem, porque quem criou a expectativa fui eu. O show começou e percebi que algumas coisas seriam adaptadas do filme, o que tudo bem também, na verdade adaptações do filme para o teatro são mais do que necessárias, obviamente. Contudo, na primeira cena, o linguado passa de amiguinho fofo da Ariel para alguém com uma "quedinha" por ela. Na minha cabeça, dado que eu não assistia ao filme há muito tempo, a culpa era minha por não ter percebido/lembrado desse fato do filme, mas aquilo me deixou com uma pulga atrás da orelha...
O show foi passando, assim como os clichês, e cada vez mais eu ficando incomodada com várias coisas. Nessas horas, o que você faria? Bom, eu cheguei em casa e assisti novamente ao filme, para ter certeza que aquilo não era eu sendo chata pra variar. E percebi, que a adaptação poderia sim ter sido melhor.
De novo, na minha cabeça, eu pensava que aquela imagem machista e cheia de clichês que a peça mostrou era fruto de um filme que tinha sido lançado no ano de 1989, mas não... Quando revi o filme percebi que todos os meus incômodos com a peça eram mostrados de forma inversa na peça. Exemplos: no filme, as irmãs da Ariel não são mesquinhas e ciumentas com a irmã mais nova, são só irmãs com conflitos de irmãs; o rei Tritão é um pai preocupado com todas as filhas, é rígido sim, mas não é, exatamente, abusivo, é só um cara tentando fazer o melhor que pode para criar sete meninas e governar um reino depois da morte de sua esposa; e a Úrsula é uma vilã fodástica e poderosíssima (exatamente como eu me lembrava)!
Eu sei que adaptações são necessárias quando um filme passa a ser uma peça de teatro. Só que, nesse caso específico, as adaptações e contextualizações fizeram do espetáculo um mar de clichês (bem desse tipo que eu acabei de fazer). Onde nem a Ariel se salvou... Vi muito pouco da garota curiosa e aventureira que só queria sair da asa de um pai hiper-protetor, mas vi muito uma adolescente ingênua e impulsiva que só queria pegar o “boy magia”, assim como não vi a vilã foderosa que a Úrsula é, para mim, ela passou uma imagem de mulher amarga e ciumenta em relação ao rei, que por sua vez, joga para escanteio as seis outras filhas assim como seu pai fez com a Úrsula.
Saí de lá triste, pensando nas menininhas da plateia que iam tomar como exemplo aquilo tudo, pensando em como uma das minhas princesas favoritas foi reduzida a uma personagem tão pequena em relação ao que poderia ter sido. Entenda, eu não cheguei esperando uma releitura moderna, cheia de mulheres super feministas, ou nada assim, é obvio que era isso que eu gostaria de ter visto, mas essa não foi a minha expectativa inicial, esperava ver os personagens, pelo menos, com as mesmas ideias e dimensões daqueles no filme. 
E para não dizerem que eu não vou fazer nenhum elogio: a representação do mar ficou maravilhosa!

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