Perto da árvore torta e do último ipê rosa, uma placa no chão. Foram quase quinze anos.
Sabe, eu precisava de um conselho seu. Precisava de um abraço, de um olhar cúmplice e do sorvete depois da aula.
Ah como eu odeio o cheiro das flores em vasos. Elas têm cheiro de morte e não de beleza, têm cheiro de fim, não de vida.
Perto de você agora tem um coqueiro e não consigo deixar de imaginar o quão irritado isso te deixaria. Várias daquelas pequenas flores amarelas no chão, não como um tapete igual as lindas flores rosas dos ipês, mas como pequenos espinhos que machucam seus pés.
Quinze anos sem as palavras cruzadas, sem o chimarrão, sem o pão fresquinho no jantar e sem o sorvete escondido da vó.
Você tão branco e sob o sol. Ainda usando o terno azul marinho, que fazia seus olhos brilharem, e o colete prateado. Será que você está com calor? Será que você está desconfortável tanto tempo na mesma posição? Será que você sente falta da piscina lá de casa e ainda se preocupa se ela está suja das malditas flores amarelas?
Agora é só uma placa no chão. Eu deveria me conectar de alguma forma com isso? Porque tudo ainda parece tão estranho? Não tem mais nada ali! Não tem mais colete prata ou terno azul. Não tem mais você.
